Os desenhos da atividade de Educação Física, pra quem não foi (ou não viu) na sexta, foram parar num mural no pátio, para que todos os pais tivessem a oportunidade de apreciar os dons artísticos de seus filhos e avaliar sua produtividade em sala de aula. As obras, muito belas e complexas, ficarão expostas até quando o vento permitir. Engraçado que no meio de desenhos tão elaborados pudéssemos encontrar uma esbelta dançarina de flamenco, com um flamingo enrolado em seu tronco e um cacto tocando castanholas; coisinha pacata e infeliz, meus pêsames, caro autor. Mas isso é só uma observação. Venho, na verdade, tratar de outros assuntos.
Quem diria, hein, Vídeo 2? De pensar que reclamamos tanto, choramos tanto, lamentamos tanto por ter de trocar nossa aconchegante sala 8 por ti, caríssima!
O início da semana na oficina foi normal, até meio desanimado - e tudo teria continuado dessa forma se não descobríssemos uma coisa: a televisão! Ah, meus amigos, que invenção libertadora, maravilhosa, brilhante. Meu coração bate descompassado só de lembrar o quanto sou grata pela existência desse sistema eletrônico tão edificante! Enfim. Foi legal ter boa parte da sala reunida assistindo a programas educativos, que ensinavam como usar a maquiagem artística de Cleópatra em pleno século XXI (... não).
O mais supimpa, mágico, épico foi, sem dúvida, redescobrir uma infância talvez esquecida ou substituída pelas atualidades, pelos desenhos contemporâneos, se é que posso colocar dessa forma. Todos reunidos, cantando as músicas de abertura, rindo juntos, repetindo frases; coisas que soam ridículas e ambíguas hoje, mas que, no passado, refletiam nossa inocência, aqueciam nossas manhãs ou tardes, satisfaziam nossas almas. Uma infância saudável, doce, que pode nunca se repetir em gerações seguintes, se levarmos em conta o que é ensinado às crianças hoje.
Não quero fazer apologias aqui. Escrevi porque essa semana foi realmente muito boa para mim, mesmo com a mudança de hábitat, e porque creio que, assim como compartilhamos a diversão dos intervalos movidos a animações toscas, também podemos ter compartilhado a vontade de ralar os joelhos, sentir cheiro de mato, jogar taco na rua, a vontade de nunca se afastar de tudo isso. Enxergar, sentir e pensar com a pureza de uma criança novamente.
Pois como já disse nosso grande He-Man...

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